CONTRIBUIÇÕES PEDAGÓGICAS PARA O ENSINO E APRENDIZAGEM EM MATEMÁTICA
Palavras-chave:
matemática, educação, ensino, metodologias, geometria, ensino fundamental, ensino médio, sala de aula, educampo, educação de jovens e adultos, aprendizagemSinopse
Apresentação
Olá! O livro intitulado “Contribuições Pedagógicas para o Ensino e Aprendizagem em Matemática” foi organizado de forma que possa ajudar você que é leitor a refletir sobre as ideias e concepções que fundamentam a prática pedagógica. Concebemos como certo que nenhuma prática pedagógica é individualizada e neutra, ou seja, a forma de trabalhar revela as crenças na educação e, consequentemente, nos mostram as teorias que levam a prática. “A teoria sem a prática vira “verbalismo”, assim como a prática sem teoria vira ativismo. No entanto, quando se une a prática com a teoria tem-se a práxis, a ação criadora e modificadora da realidade” (Paulo Freire).
O que atribui intencionalidade pedagógica às ações do professor é o conjunto de teorias que este se apropriou durante sua formação e nas suas concepções. Por isso é importante pensarmos que não somos pesquisadores somente quando escolhemos um tema de pesquisa e procuramos informações e respostas a partir de adequadas bibliografias. Somos pesquisadores, e mais que isso, cientistas, quando enxergamos na produção dos nossos alunos base para permear o conhecimento científico. Desta forma, entendemos o que e como o sujeito está pensando. E uma vez tendo esta leitura, a intervenção junto àquele sujeito será direcionada as suas necessidades, motivos e potencialidades. E o efeito disso? Já percebemos que neste momento ocorre, de fato, a construção do conhecimento.
E isso já nos afirmava Paulo Freire: “Não existe docência sem discência”. Ao criar uma linha que una esses dois conceitos, estes se complementam e se mesclam. A pessoa que ensina também aprende, tanto com o ato de ensinar, consigo mesmo, quanto com seus alunos. Isso se dá pois a troca de experiências entre todos os envolvidos se faz essencial no seu método de ensino.
Pensando nisso foram selecionados textos para essa obra e, assim, produzidos 10 capítulos. Os textos apontam o diálogo científico de pesquisadores, professores e licenciandos com seus orientadores na constituição de suas demandas acadêmicas, com diversidades de pensamentos e produções sobre as contribuições pedagógicas no ensino de matemática.
No primeiro capítulo “As dificuldades dos alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) no Ensino da Matemática” de Gleison dos Santos da Silva e Nathecio Nathanael dos Santos vemos que o ensino da matemática é algo que tem se tornado cada vez mais necessário na vida das pessoas, em virtude de a mesma ser utilizada em diversas situações. Apesar da importância da matemática em nosso cotidiano, muitas pessoas ainda não possuem conhecimento básico dessa ciência. Assim, esta pesquisa tem como objetivo descobrir quais as dificuldades dos alunos que cursam a modalidade EJA. E para alcançar tal objetivo, os autores desenvolveram uma pesquisa tendo como metodologia uma abordagem qualitativa, utilizando como instrumento de coleta de dados a pesquisa bibliográfica envolvendo diversos autores acerca da temática em questão. Desta forma o estudo mostrou que os as dificuldades mais frequentes são um ensino com qualidade, a diversidade cultural, o cansaço, a formação profissional para atuarem na EJA, pouco tempo para dedicação aos estudos, metodologias utilizadas, comumente inadequadas que acabam por impedir ao aprendizado. Bem como, a rigidez institucional e a falta de materiais didáticos específicos que atendam às necessidades dos educandos. As disciplinas trabalhadas na modalidade EJA sem nenhuma ligação com a realidade. E por fim outro grande problema encontrado, foi a evasão escolar. Assim eles chegaram ao entendimento que o profissional de psicopedagogia deve ser um promotor de ações que relacione o ensino da disciplina com o contexto social do aluno a fim de ter uma aprendizagem significativa e de certa forma, concluíram que trabalhar conteúdos integrando cotidiano dos alunos facilita no processo de aprendizagem dos mesmos.
No segundo, temos: “A Influência da Mídia no Processo Formativo do Educando: Campo de atuação da Psicopedagogia” dos autores Nathecio Nathanael dos Santos e Vanessa Pinheiro Bento, neste capítulo podemos ver que os meios de comunicação de massa fazem parte de nossas atividades cotidianas, interferindo positivamente ou não em nossas vidas, dependendo de como os utilizamos. Inicialmente, o trabalho propõe entender como os meios de comunicação sociais interferem no processo de formação do aprendente. Sendo que a metodologia utilizada, quanto aos objetivos, foi exploratória, pois buscou-se uma maior familiaridade com o problema e no que tange aos procedimentos técnicos: pesquisa bibliográfica. Os escritores procuraram situar a escola neste contexto pós-moderno e só depois, tratar da gênese e evolução da ciência psicopedagogia. Por fim, identificaram os riscos advindos pelo mau uso das tecnologias pelo aprendiz e a atuação do Psicopedagogo. Concluindo, por fim, que os riscos advindos pelo mau uso das tecnologias para o aprendiz como: aprendizado e sono comprometidos, dificuldade de concentração, alienação da realidade, multifuncionalismo e isolamento social, mostram que o psicopedagogo tem um campo vasto de atuação.
No que concerne ao terceiro capítulo intitulado “A Escola Campo de Atuação da Psicopedagogia” dos mesmos, Nathecio Nathanael dos Santos e Vanessa Pinheiro Bento mostra-se que a Psicopedagogia é uma ciência que tem como objeto de estudo a aprendizagem. Esta produção está dividida em duas partes. Na primeira, veremos a evolução da comunidade para a sociedade institucionalizada e a presença do Estado como organizador, direcionador e promotor do bem estar desta sociedade bem como o surgimento da escola. A segunda traz a questão da atuação do Psicopedagogo na escola. A metodologia utilizada, quanto aos objetivos, foi exploratória, pois buscou-se uma maior familiaridade com o problema e no que tange aos procedimentos técnicos: pesquisa bibliográfica. Decerto os autores consubstanciam que o Psicopedagogo, de acordo com sua formação pode atuar nas diversas instituições, sejam elas escolas, hospitais, empresas ou clínicas. Seu enfoque é a aprendizagem, bem como o sujeito aprendente e sua relação com fatores que possam dificultar, potencializar ou contribuir para a conquista da autonomia, tornando-se um sujeito atuante e constritivo no meio onde vive.
O próximo capítulo de autoria de Olinda Torres Louzeiro Vieira e Nathecio Nathanael dos Santos nomeado por “Os mitos em relação ao Ensino de Matemática e suas implicações na aprendizagem dos alunos em sala de aula” nos conduzem muitas reflexões e é algo que precisa ser debatido, para que haja evolução de pensamento dos nossos jovens, tornando-os assim, capazes de desmistificar falsas afirmações matemáticas e a partir daí, consigam vencer as suas barreiras e suas deficiências quanto a essa disciplina. É nessa qualidade que a pesquisa tem como objetivo geral refletir sobre os mitos dos que estudam/ensinam matemática e suas implicações para o aprendizado dos alunos em sala de aula e assim contribuir para a desmistificação e o sucesso no ensino e aprendizagem dessa disciplina. A análise apresenta uma revisão da literatura com característica qualitativa e ênfase na pesquisa sistemática de artigos e obras, com a finalidade de aprofundar-se nos conhecimentos através da pergunta norteadora: “Quanto do que se tem escrito e dito acerca do processo de ensino-aprendizagem da matemática pode ser preconceito ou mito e até onde esses mitos e suas implicações em sala de aula interferem nesse processo?”. O trabalho está dividido em dois momentos, desenvolvendo uma abordagem histórica acerca da matemática e, em sequência, os mitos que dificulta o aprendizado da matemática e suas implicações no processo de ensino-aprendizado da disciplina referida. Por fim, conclui-se que é de máxima importância refletir sobre os mitos matemáticos para que se possa evita-los, tornando real a possibilidade de o estudo de matemática acontecer de forma crítica, escutando as descobertas de pesquisas e a sabedoria que vem da prática especializada.
No quinto capítulo, “Dislexia, Matemática e Aprendizagem: Desafios e Metodologias para o Ensino” as autoras Marly Rosário da Silva Alves, Cleonice Moreira Lino e Françueza Rocha dos Santos mostram que a Matemática vem comprovadamente revelando seu valor nas diferentes áreas do saber e nas aplicações em várias atividades do cotidiano. Sua compreensão entre os estudantes é relevante para que possa agregar valor às várias áreas da vida e da área profissional. Da mesma forma, que as metodologias apresentam importantes recursos para a formação crítica e reflexiva do aluno através do processo de ensino e aprendizagem, onde acontece a interação. A pesquisa visa descrever, mediante revisão bibliográfica, as características da dislexia e formas de intervenção pedagógicas dentro do período de 2010 a 2021. Esse apanhado de pesquisas pretende abordar as práticas e experiências que possam contribuir para facilitar a aprendizagem de matemática por disléxicos. Assim pode-se perceber que é notório também a necessidade de adequação das metodologias que auxiliem o aprendizado do aluno disléxo, ressaltando que este tipo de aluno não requer necessariamente metodologias especiais, mas que proporcione uma melhor assimilação dos conteúdos, resultando em um melhor aprendizado.
No sexto, “A Aprendizagem Significativa de Ausubel e a Contextualização no Ensino para a Aprendizagem de Matemática: aplicação em sala de aula” os autores Arthur do Amaral Rocha e Cleonice Moreira Lino abordam a aprendizagem significativa de Ausubel e a contextualização no ensino para a aprendizagem de matemática dando foco a aplicação em sala de aula. Com a pesquisa buscam compreender os melhores métodos de ensino aprendizagem de matemática. Tendo como pressuposto que a matemática sempre foi considerada pelos alunos a disciplina com maior nível de dificuldades. E daí surgiu a indagação: A matemática é considerada assim, seria apenas pelo conteúdo ou pela metodologia abstrata usada pela maioria dos professores? Para responder a esse questionamento os autores observaram a prática pedagógica do professor e aplicaram a metodologia que considera a contextualização e a aprendizagem significativa de Ausubel como meio eficaz no ensino para a aprendizagem da matemática. Objetivando constatar a eficácia do método e visando a melhor compreensão dos alunos fizeram uma pesquisa quanti-qualitativa com caráter bibliográfico e experimental, com posterior comparação de resultados de forma a demonstrar a relevância do tema em foco. Assim, pretendem contribuir com os professores em exercício e licenciados em Matemática para aperfeiçoamento da educação matemática na atualidade.
No capítulo seguinte, intitulado “Aprendizagem Matemática no Ensino Médio: intervenções para melhoria dos resultados do SAEB e do ENEM” de autoria de Luiz de Souza Serpa, Cleonice Moreira Lino e Arthur do Amaral Rocha temos a identificação do desenvolvimento da aprendizagem matemática das escolas estaduais de ensino médio de Corrente-PI, dados através da investigação dos resultados alcançados em matemática nos últimos três anos (2017 a 2019), na intenção de apontar estratégias a serem desenvolvidas pelas escolas para melhoria dos índices educacionais e promoção de avanços frente aos impactos das avaliações oficias. Nessa investigação, os autores utilizam da pesquisa quantitativa aliada ao estudo bibliográfico para análise de dados das avaliações oficiais, tais como: Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), e Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) e de um diálogo com as produções bibliográficas que tratam dessa questão. Para isso fizeram um estudo dos índices alcançados pelos estudantes no trimestre amostral através do ensino através dos registros oficiais e das produções existentes. A pesquisa sinaliza a necessidade de maior reflexão diante dos resultados por aqueles que fazem a escola de modo a atacar os pontos frágeis e assim desenvolver estratégias que contribuam para maiores avanços nos resultados. Por fim, o estudo aponta alternativas que podem ser adotadas pelas escolas para avaliação dos impactos nos índices pós-intervenção.
No oitavo capítulo o autor Cosme Wedson Bezerra Fernandes em seu texto “O uso do GeoGebra como ferramenta para a compreensão do conceito do número pi” nos fala sobre como as novas tecnologias podem e devem ser utilizadas como mecanismos para despertar a atenção dos estudantes no processo de ensino e aprendizagem de matemática. Em particular, o GeoGebra se mostrou muito eficaz na tarefa de tornar as aulas mais dinâmicas e participativas. A presente escrita tem o objetivo de verificar se as atividades experimentais e o GeoGebra podem ser utilizados como ferramentas alternativas para compreender e construir o conceito do número pi. As atividades práticas sugeridas na pesquisa buscam construir o conceito de pi e a manipulação do software utilizando o método de Arquimedes tornando intuitivo o conceito de perímetro de uma circunferência. O autor, ao fim, completa que para isso é necessário utilizar diversas ferramentas pedagógicas que despertem nos estudantes o desejo de manipular e interagir na construção dos conceitos.
Percorrendo o nono capítulo “AFETIVIDADE E EDUCAÇÃO MATEMÁTICA: estudo de caso com pedagogos que lecionam matemática nos anos finais do Ensino Fundamental em Corrente” de autoria de Gleiciana Santos da Silva, Flávio de Ligório Silva e Cleonice Moreira Lino vemos que os autores buscam reconhecer quais os sentimentos dos pedagogos ao ensinarem matemática nos anos finais do Ensino Fundamental II, no município Corrente-PI.
Diante dos objetivos dessa pesquisa, notaram que os sentimentos mobilizados pelos professores pedagogos ao ministrarem o conteúdo de matemática reafirmam a importância da formação docente, de modo a propiciar os saberes necessários à prática docente, segurança, confiança e outros sentimentos que facilitam o processo de ensino-aprendizagem, bem como suscitar afetos necessários à prática de ensino, ao desenvolvimento profissional docente e êxito discente com boas crenças e representações sobre a matemática.
Por fim, destacaram que a ideia por eles abordada, em que sentimentos, crenças, atitudes e emoções de âmbito negativo difundem-se pelo tecido social da sala de aula ou do ambiente escolar, provocam nos alunos representações ruins sobre a matemática tais como a “pior das disciplinas” ou o “bicho-de-sete cabeças”.
Finalizando de forma significativa, pertinente ao conjunto da obra temos o décimo capítulo “GEOMETRIA SEGUNDO A TEORIA DE VAN HIELE: proposta de sequência didática para o ensino de áreas no ensino fundamental” escrito por Jordan Tavares Teotônio, Flávio de Ligório Silva e Anna Karla Barros da Trindade, com esse podemos fazer uma reflexão acerca de como a procura por uma educação mais igualitária e de qualidade tem se tornado cada dia mais difícil, principalmente no que diz respeito ao ensino e a aprendizagem, que precisa acontecer de forma significativa considerando-se o contexto ao qual o aluno está inserido e o que já sabe ao chegar à escola. Com isso, os autores buscaram desenvolver uma proposta de sequência didática de ensino na área de Geometria, que tem como base a Teoria de Van Hiele para os estudos de áreas nos anos finais do Ensino Fundamental. Na escrita são elaborados pré-testes, pós-testes e intervenções pedagógicas para que os docentes observem e analisem os níveis de conhecimento de seus alunos segundo a teoria em pesquisa e, além disso, para que se tenha uma melhoria na aprendizagem dos discentes.
Transmitimos parabéns aos organizadores e, especialmente, aos autores, ao tempo em que reforçamos a convicção de que “Contribuições Pedagógicas para o Ensino e Aprendizagem em Matemática” é um convite à ampliação do diálogo com a educação matemática, para o encontro de uma nova práxis. Bem mais, evidentemente, poderia ser dito. Insistimos, portanto, no convite para que os leitores procedam às próprias análises. Desejamos a você uma excelente leitura, que acrescente, seja reflexiva e, principalmente, transformadora de conceitos e saberes!
Anna Karla Barros da Trindade
Francisco de Paula Santos de Araujo Junior
Polyana Carvalho Nunes
Capítulos
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AS DIFICULDADES DOS ALUNOS DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS (EJA) NO ENSINO DA MATEMÁTICA
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A INFLUÊNCIA DA MÍDIA NO PROCESSO FORMATIVO DO EDUCANDO: CAMPO DE ATUAÇÃO DA PSICOPEDAGOGIA
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A ESCOLA: CAMPO DE ATUAÇÃO DA PSICOPEDAGOGIA
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OS MITOS EM RELAÇÃO AO ENSINO DE MATEMÁTICA E SUAS IMPLICAÇÕES NA APRENDIZAGEM DOS ALUNOS EM SALA DE AULA
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DISLEXIA, MATEMÁTICA E APRENDIZAGEM: DESAFIOS E METODOLOGIAS PARA O ENSINO
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A APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA DE AUSUBEL E A CONTEXTUALIZAÇÃO NO ENSINO PARA A APRENDIZAGEM DE MATEMÁTICA: Aplicação em sala de aula
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APRENDIZAGEM MATEMÁTICA NO ENSINO MÉDIO: INTERVENÇÕES PARA MELHORIA DOS RESULTADOS DO SAEB E DO ENEM
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O USO DO GEOGEBRA COMO FERRAMENTA PARA A COMPREENSÃO DO CONCEITO DO NÚMERO PI
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AFETIVIDADE E EDUCAÇÃO MATEMÁTICA: estudo de caso com pedagogos que lecionam matemática nos anos finais do Ensino Fundamental em Corrente
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GEOMETRIA SEGUNDO A TEORIA DE VAN HIELE: proposta de sequência didática para o ensino de áreas no ensino fundamental
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