Pesquisas em Meio Ambiente e Impactos Ambientais - vol.2
Sinopse
A coletânea Pesquisas em Meio Ambiente e Impactos Ambientais nasce em um momento em que a crise socioambiental exige leituras cada vez mais integradas sobre território, biodiversidade, saúde, resíduos, educação e participação social. Os capítulos reunidos neste livro expressam a diversidade de objetos, métodos e escalas que caracteriza as Ciências Ambientais contemporâneas. Ao articular revisões de literatura, estudos empíricos, análises bibliométricas, experiências de extensão, propostas pedagógicas e investigações aplicadas, a obra evidencia que os impactos ambientais não se limitam a alterações físicas ou químicas no ambiente. Eles se manifestam também em modos de vida, sistemas produtivos, práticas culturais, políticas públicas, tecnologias sociais e formas de governança.
O percurso proposto inicia-se pelo reconhecimento de territórios vulneráveis e de formas muitas vezes invisíveis de contaminação. A discussão sobre poluentes emergentes em áreas ocupadas por populações tradicionais e indígenas amplia a compreensão dos impactos ambientais ao demonstrar que a exposição a contaminantes envolve dimensões ecológicas, epidemiológicas, culturais e políticas. Essa abertura oferece ao leitor uma chave interpretativa importante: os problemas ambientais são inseparáveis das desigualdades sociais, da disputa por território e da necessidade de produzir conhecimento sensível aos contextos locais. Em seguida, a análise bibliométrica e de conteúdo sobre tratamento de efluentes desloca o olhar para a gestão das águas residuais, mapeando tendências científicas, métodos de avaliação e lacunas que persistem no campo.
A partir da parte inicial, a obra avança para os ambientes produtivos e para a avaliação de alterações em ecossistemas manejados. O capítulo sobre degradação de pastagens propõe um método expedito de análise perceptiva, relacionando observações de campo com atributos físicos e agregados do solo. Ao fazê-lo, mostra como ferramentas simples podem apoiar decisões de manejo e recuperação ambiental em áreas rurais. A discussão é especialmente relevante em um país onde a expansão agropecuária, o uso intensivo do solo e a necessidade de conservar serviços ecossistêmicos impõem o desafio de conciliar produção, conservação e mitigação climática.
Na sequência, os capítulos dedicados à fauna silvestre aproximam o leitor das relações entre comunidades humanas, biodiversidade e conservação. A revisão sobre aves exploradas por povos da Caatinga e do Cerrado sistematiza padrões de uso, categorias culturais e implicações conservacionistas da etnoornitologia dos sertões brasileiro. Logo depois, o estudo sobre práticas de caça e usos da fauna silvestre no norte do Piauí oferece um recorte empírico detalhado, revelando motivações, espécies-alvo, consumo, conflitos, usos como animais de estimação e comércio de carne de caça. Lidos em conjunto, esses capítulos demonstram que a conservação da fauna exige compreender a complexidade das práticas locais e dialogar com conhecimentos tradicionais, necessidades econômicas e estratégias de manejo.
O livro passa então a discutir os resíduos sólidos e a valorização de materiais como caminhos para reduzir impactos. O relato sobre gerenciamento ambiental em estádios de futebol evidencia que grandes eventos esportivos concentram consumo, circulação de pessoas e geração de resíduos, demandando planejamento, infraestrutura, coleta seletiva, educação ambiental e sistemas de gestão integrados. A partir desse estudo de caso urbano, a obra se desloca para soluções termoquímicas de aproveitamento de biomassa. O capítulo sobre resíduos verdes de horto urbano avalia a pirólise como rota para produção de biochar, destacando sua contribuição para economia circular, estocagem de carbono e mitigação climática.
Essa discussão tecnológica é aprofundada pelo estudo sobre biochar de capim Napier e sua capacidade de adsorção de metais. Ao comparar a produção laboratorial com a produção em Fogão Anila, o capítulo aproxima ciência dos materiais, saúde ambiental e tecnologia social. O resultado é uma reflexão sobre soluções de baixo custo para remediação de contaminação por metais, especialmente em contextos vulneráveis. Os dois capítulos sobre biochar dialogam entre si porque mostram que resíduos e biomassas não devem ser entendidos apenas como passivos ambientais, mas também como recursos capazes de gerar produtos úteis, reduzir emissões, melhorar processos de tratamento e fortalecer alternativas de sustentabilidade.
A etapa final da coletânea desloca o foco para educação, extensão universitária e inovação social. O capítulo sobre o uso de dado pedagógico para ensinar educação ambiental e Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs) na educação básica defende metodologias lúdicas, acessíveis e participativas como instrumentos para aproximar estudantes da agrobiodiversidade e da alimentação sustentável. Essa abordagem indica que a transformação socioambiental depende também de práticas formativas capazes de despertar curiosidade, criticidade e compromisso com modos de vida mais sustentáveis. A educação ambiental aparece, assim, não como complemento, mas como dimensão estruturante da resposta aos impactos ambientais. Neste sentido, o antepenúltimo capítulo do livro é relevante, uma vez que demonstra a capacitação de estudantes do curso de Meio Ambiente do Instituto Federal do Maranhão, Campus Alcântara, na capacitação para monitoramento e manutenção do Método “Sisteminha”, uma tecnologia social inovadora voltada à produção integrada de alimentos de forma sustentável.
Os dois últimos capítulos aprofundam essa perspectiva institucional e participativa. A análise da extensão universitária na pós-graduação em Ciências Ambientais no Meio Norte do Nordeste brasileiro examina a intensidade, a continuidade e a multidisciplinaridade das ações extensionistas, reforçando o papel da universidade na produção de conhecimento socialmente referenciado. Encerrando a obra, o capítulo sobre os aplicativos Curupira e Teresina Ambiental mostra como tecnologias digitais podem ampliar canais de denúncia, divulgação de serviços ambientais, ciência cidadã e comunicação entre sociedade, universidade e órgãos públicos. O fechamento com esse tema sugere que a gestão ambiental contemporânea depende cada vez mais de redes colaborativas, dados compartilhados e participação social.
Nesta coletânea se destaca a variedade metodológica adotada pelos autores. Há capítulos construídos a partir de revisões narrativas e sistematizadas, levantamentos bibliométricos, observação participante, estudos de caso, experimentação laboratorial, caracterização físico-química, análise estatística e desenvolvimento de recursos didáticos e tecnológicos. Essa multiplicidade demonstra que as temáticas em meio ambiente e impactos ambientais precisam ser investigados por diferentes lentes, combinando indicadores quantitativos, interpretação qualitativa, escuta social, análise territorial e avaliação técnica. Ao mesmo tempo, a presença de estudos desenvolvidos em contextos urbanos, rurais, escolares, universitários e comunitários reforça que a questão ambiental atravessa espaços variados e exige respostas ajustadas a cada realidade. Esta obra mostra também que a pesquisa científica e a extensão universitária podem oferecer caminhos práticos, socialmente situados e tecnicamente fundamentados para reduzir impactos, apoiar políticas públicas e fortalecer a participação coletiva.
Por essa razão, a coletânea pode ser lida tanto como panorama de pesquisas recentes quanto como convite à colaboração interdisciplinar. Ao reunir autores de diferentes instituições, regiões e áreas de formação, Pesquisas em Meio Ambiente e Impactos Ambientais reafirma a vocação interdisciplinar das Ciências Ambientais. A obra oferece contribuições para pesquisadores, estudantes, gestores, educadores e profissionais interessados em compreender a complexidade dos desafios ambientais atuais. Mais do que apresentar resultados isolados, o conjunto dos capítulos convida à construção de pontes entre ciência, sociedade e políticas públicas. Em tempos de mudanças climáticas, perda de biodiversidade, contaminação difusa e desigualdades socioambientais, esse diálogo é indispensável para imaginar e implementar respostas mais justas, criativas e efetivas. Que esta coletânea contribua para ampliar debates, inspirar novas pesquisas e fortalecer práticas comprometidas com a sustentabilidade dos territórios e com a dignidade das populações que deles dependem.
Sem mais, desejamos uma excelente leitura.
Prof. Dr. Wedson de Medeiros Silva Souto
(Universidade Federal do Piauí (UFPI), Centro de Ciências da Natureza, Departamento de Biologia)
Prof.a. Dra. Letícia Sousa dos Santos
(Doutorado em Desenvolvimento e Meio Ambiente – UFPI, Secretaria Municipal de Educação – Timon-MA)
Prof. Me. José Augusto Aragão-Silva
(Doutorado em Desenvolvimento e Meio Ambiente – UFPI, Secretaria Municipal de Educação – Esperantina-PI)
Capítulos
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CAPÍTULO 1 - TERRITÓRIOS VULNERÁVEIS, POLUENTES INVISÍVEIS: CONTAMINANTES EMERGENTES E SEUS IMPACTOS NA SAÚDE AMBIENTAL DE POPULAÇÕES TRADICIONAIS E INDÍGENAS
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CAPÍTULO 2 - AVALIAÇÃO DOS IMPACTOS AMBIENTAIS DO TRATAMENTO DE EFLUENTES: UMA ANÁLISE BIBLIOMÉTRICA E DE CONTEÚDO
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CAPÍTULO 3 - ANÁLISE PERCEPTIVA DA DEGRADAÇÃO DA PASTAGEM E SUA INTERAÇÃO COM ATRIBUTOS FÍSICOS E AGREGADOS DO SOLO
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CAPÍTULO 4 - ETNOORNITOLOGIA DOS SERTÕES: UMA REVISÃO PRELIMINAR SOBRE AVES EXPLORADAS POR POVOS DA CAATINGA E DO CERRADO BRASILEIRO
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CAPÍTULO 5 - PRÁTICAS DE CAÇA E USOS DA FAUNA SILVESTRE EM ÁREAS RURAIS NO NORTE DO PIAUÍ, NORDESTE DO BRASIL
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CAPÍTULO 6 - GERENCIAMENTO AMBIENTAL EM ESTÁDIOS DE FUTEBOL: UM RELATO SOBRE RESÍDUOS SÓLIDOS
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CAPÍTULO 7 - VALORIZAÇÃO DE RESÍDUOS VERDES DE HORTO URBANO POR MEIO DE PIRÓLISE: PRODUÇÃO DE BIOCHAR E POTENCIAL DE MITIGAÇÃO CLIMÁTICA
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CAPÍTULO 8 - ESTUDO DE BIOCHAR DE CAPIM NAPIER E AVALIAÇÃO 175 DE SUA CAPACIDADE DE ADSORÇÃO DE METAIS
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CAPÍTULO 9 - O USO DE DADO PEDAGÓGICO COMO RECURSO DIDÁTICO PARA ENSINAR SOBRE EDUCAÇÃO AMBIENTAL E PANCS NO ENSINO BÁSICO
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CAPÍTULO 10 - CAPACITAÇÃO DE ESTUDANTES DO CURSO TÉCNICO EM MEIO AMBIENTE NO MONITORAMENTO DO PROJETO SISTEMINHA EMBRAPA/UFU/FAPEMIG NO IFMA CAMPUS ALCÂNTARA – MA
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CAPÍTULO 11 - EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA NA PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS AMBIENTAIS NO MEIO NORTE DO NE BRASILEIRO: UMA ANÁLISE PRELIMINAR COMPARATIVA ENTRE PROGRAMAS CONSOLIDADOS REGIONALMENTE PRÓXIMOS E GRUPO DE PROPOSTA DE CURSO NOVO (“APCN”)
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CAPÍTULO 12 - APLICATIVOS E A EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA NAS CIÊNCIAS AMBIENTAIS: EXPERIÊNCIAS COM OS APLICATIVOS CURUPIRA E TERESINA AMBIENTAL PARA CONSERVAÇÃO AMBIENTAL PARTICIPATIVA
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